Saturday, November 07, 2009
Capítulo 7 (rascunho)
A pergunta adquiria diferentes matizes. Que disse? Que quis dizer? Que sentia quando o disse? Resolvê-la era indispensável para me liberar dela e começar a viver em Nova York. Mas era uma pergunta que eu não me podia responder. Tinha a experiência acumulada de outras perguntas mais simples e ridículas. Para mim, nem sequer dois mais dois tinham sido quatro. Houve um tempo em que, para contar, comecei a reparar em qualquer coisa, em quatro pedras, por exemplo, em quatro lápis, em quatro árvores na rua. Só então "quatro" tinha algum significado. Ou me agarrava os dedos. Com vinte e tantos anos voltei a contar com os dedos. (Ocasionalmente, a realidade relativizava a minha doença: em casa de Lídia, certa tarde de início de verão, enquanto tomávamos café sob os pinheiros do quintal, vários de meus amigos contaram com os dedos os dias que faltavam para irmos de férias; para eles bastava, porém, contar uma só vez.) Eu tinha machucado Lídia, e precisava averiguar se o tinha feito sabendo-o. Qualquer amante escrupuloso poderia se fazer tal pergunta, cansei-me de dizer a J.-P., minha psicóloga - e ela apertava os lábios, mostrando os vincos no buço, muda: as perguntas são já de uma outra categoria; seu objeto agora é exclusivamente Lídia, a pessoa a quem mais amo no mundo.
Capítulo 6 (rascunho)
Finalmente fui a Union Square. Andei pelo lado sul da rua 14, passei pela residência universitária sem me deter - da larga e longa marquise tinham retirado os painéis de metacrilato, deixando só a estrutura (protegido da chuva, eu não tinha fumado e conversado brevemente com alguém, alguma vez?) - e atravessei até a praça. O gramado está seco, queimado pela neve e o sol, e os galhos nus das árvores, como cabelos encrespados, não escondem as fileiras de prédios baixos ao redor, não ocultam a cidade. Sinais de proibição relativos a cachorros, comida e esportes, agora, com a praça deserta e em silêncio, parecem uma triste brincadeira. As folhas caídas têm sido varridas, mas as que restam formam círculos perfeitos aos pés de cada tronco, anéis marrons. Não sinto nada. Agora que estou inteiramente aqui, não sinto nada. Quão absurdo, querer rever a praça do verão. No entanto, não era por algo assim que eu esperava?
Desta praça liguei para o meu pai, sentado de pernas cruzadas na grama, deixando o corpo cair para a frente. Sem nada ver ou ouvir. Como se os grupos de jovens estudantes sentados em rodas, os velhos apertados os uns aos outros nos bancos, os mendigos e os bêbados ocupando bancos só para si, sem ninguém que os dividisse com eles, as músicas dos aparelhos de som e os gritos e murmúrios, estivessem, viessem de algum lugar distante. As lembranças podem ser tão mais completas do que os próprios fatos vividos! Era esse o meu medo destes dias? A inutilidade pressentida de querer voltar aqui? Meu pai intentava me resgatar. À menor chance, pedia-me que lhe contasse sobre o curso, sobre os colegas; e, sendo as minhas respostas vagas, interessava-se pelo que havia em minha volta - com sinceridade, mas ciente também que era isso do que eu precisava. Dizia-me que ouvia violões. O que tem ao seu lado? O que está fazendo para se divertir? Impelia-me a fazer um esforço. Sem sucesso, porque tudo o que eu queria era sua ajuda para resolver a pergunta que não me abandonava havia mais de um ano - a última de uma série interminável.
Desta praça liguei para o meu pai, sentado de pernas cruzadas na grama, deixando o corpo cair para a frente. Sem nada ver ou ouvir. Como se os grupos de jovens estudantes sentados em rodas, os velhos apertados os uns aos outros nos bancos, os mendigos e os bêbados ocupando bancos só para si, sem ninguém que os dividisse com eles, as músicas dos aparelhos de som e os gritos e murmúrios, estivessem, viessem de algum lugar distante. As lembranças podem ser tão mais completas do que os próprios fatos vividos! Era esse o meu medo destes dias? A inutilidade pressentida de querer voltar aqui? Meu pai intentava me resgatar. À menor chance, pedia-me que lhe contasse sobre o curso, sobre os colegas; e, sendo as minhas respostas vagas, interessava-se pelo que havia em minha volta - com sinceridade, mas ciente também que era isso do que eu precisava. Dizia-me que ouvia violões. O que tem ao seu lado? O que está fazendo para se divertir? Impelia-me a fazer um esforço. Sem sucesso, porque tudo o que eu queria era sua ajuda para resolver a pergunta que não me abandonava havia mais de um ano - a última de uma série interminável.
O Boxeador, de Leonardo Wittmann
Esta é a curta-metragem do colega de Oficina de Escrita Criativa e amigo Leonardo Wittmann. Eu adorei. Não digo isso por ele ser meu amigo. :) É uma história singela e humana, contada com delicadeza. Como eu gosto.
Friday, November 06, 2009
Traduccions de Brasil 60 (A casa é sua, de Arnaldo Antunes e Ortinho)
Saudades do Ronaldo e da Rose, cujas "casas" estão sempre abertas. (E que amam o Arnaldo tanto quanto eu.)
La casa es tuya
No me faltan sillas
No me falta sofá
Sólo me faltas tú sentada en la sala
Sólo me falta verte llegar
No me faltan paredes
Y en ellas la puerta para que puedas entrar
No me faltan alfombras
Para que tus pies las puedan pisar
No me falta cama
Sólo me falta que te vengas a echar
No me falta el sol de mañana
Sólo me falta verte despertar
Que las ventanas se abran para mí
Y el viento juegue en el patio de atrás
Acariciando las flores del jardín
Meciendo la ropa a secar
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
No me falta baño, cuarto,
lámpara, sala de estar,
No me falta cocina
Sólo me falta oír el timbre tocar
No me falta un perro
Ululando porque tú no estás
Parece que esté pidiendo socorro
Como todo aquí en este lugar
No me falta casa
Sólo falta que sea un hogar
No me falta el tiempo que pasa
Pero ya no puedo esperar
Para que los pájaros vuelvan a cantar
Y la nube dibuje un corazón atravesado
Para el suelo volver a su lugar
Y la lluvia repiquetear en el tejado
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
La casa es tuya
No me faltan sillas
No me falta sofá
Sólo me faltas tú sentada en la sala
Sólo me falta verte llegar
No me faltan paredes
Y en ellas la puerta para que puedas entrar
No me faltan alfombras
Para que tus pies las puedan pisar
No me falta cama
Sólo me falta que te vengas a echar
No me falta el sol de mañana
Sólo me falta verte despertar
Que las ventanas se abran para mí
Y el viento juegue en el patio de atrás
Acariciando las flores del jardín
Meciendo la ropa a secar
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
No me falta baño, cuarto,
lámpara, sala de estar,
No me falta cocina
Sólo me falta oír el timbre tocar
No me falta un perro
Ululando porque tú no estás
Parece que esté pidiendo socorro
Como todo aquí en este lugar
No me falta casa
Sólo falta que sea un hogar
No me falta el tiempo que pasa
Pero ya no puedo esperar
Para que los pájaros vuelvan a cantar
Y la nube dibuje un corazón atravesado
Para el suelo volver a su lugar
Y la lluvia repiquetear en el tejado
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
Capítulo 5 (rascunho)
Incrédula. E essa capa de livro colada na porta do banheiro, abaixo do mapa da cidade do inquilino anterior? Imagino o que Anne pensaria se entrasse e a visse. Eu zombaria: 30 mil cópias vendidas. To great critical acclaim. (Ah é?) Porém, é só uma capa, sem sequer nome de autor. A imagem de um vulcão em sombra, ao cair do dia, com letras brancas sobreimpressas em um céu azul anil. Under the Peruvian Snow. De todas as lembranças do curso, só essa não ficou engavetada por anos. Não por ser especialmente bonita, senão por seu significado especial: a prova de um pequeno e improvável sucesso. E o orgulho e prazer de um trabalho em equipe - não em solidão. Esqueci o nome e o rosto da garota que a desenhou. Sabia mexer no Quark e se ofereceu gentilmente para desenhá-las todas. (Lembro, entretanto, de minha expressão de gratidão quando a recebi de suas mãos, em um canto perdido do subsolo labiríntico da maior biblioteca do campus.) Anne observaria a capa, inclinando a cabeça para o lado, brincando de ajeitar o cabelo, e diria: Então você não deveria estar em Lima?
Capítulo 4 (rascunho)
No ano 2000 não pisei neste bairro, nem em qualquer outro ponto do distrito de Brooklyn. Minha vida transcorreu dentro do perímetro marcado pelas ruas 14 e 4, a Terceira avenida e University Place. Agora moro em Bedford-Stuyvesant, em um trecho da rua Bedford em que apenas há uma loja de conveniência, uma barbearia e um lúgubre take-away chinês. São três quarteirões até o metrô, e no caminho às vezes vejo, à minha frente, de salto alto apesar da neve, minha vizinha, a única que conheci. É psicóloga. De manhã trabalha em um consultório de Manhattan e de tarde recebe alguns pacientes em casa. Foi ela quem se apresentou. Eu ia carregado de sacolas, e antes de conseguir abrir a porta do apartamento a ouvi descer pela escada e se deter no patamar. Seu nome é Anne, ou Anna. Logo quis saber quem eu era, o que fazia. Eu escrevo, eu disse, e ela inquiriu sobre o que. Eu hesitei. Sobre uma múmia peruana, ocorreu-me dizer. Pelo seu olhar risonho, entendi que não acreditava. Deu-me tchauzinho com a mão, e terminando de amarrar o sobretudo cor-de-rosa à cintura sumiu escada abaixo. Ainda disse: Você não me parece um escritor!
Capítulo 3 (rascunho)
Mas por enquanto espero. Evito as ruas e avenidas por onde andei em 2000. Sempre ao norte de Union Square, caminho sem rumo, depressa por causa do frio, ouvindo o nylon do casaco crepitar. Quando não agüento mais, e sinto pontadas na testa e nas mãos, enfio-me em qualquer lugar, uma loja de departamentos, o vestíbulo de um prédio de escritórios. O refúgio pode ser a Biblioteca Pública, perto de onde, na hora do almoço, servem sopas quentes em copos de papel. Reparo em certos arranha-céus como se fosse a primeira vez. Fantasio sobre a identidade dos moradores dos últimos andares de torres que parecem medievais, com suas gárgulas e seus pináculos, que entrefechando os olhos consigo ver recortados no céu. Carpetes velhos e gastos, assoalhos de madeira. Corredores sinistros conectando antigos a novos elevadores.
Nessa postura não reconheço ao jovem com um objetivo específico para estar aqui. Reconheço a atitude que, outros dias, tem me levado ao Museu do Brooklyn, me deixado obnubilado diante das máscaras e dos tótens africanos do amplo e alto saguão; ou, no Museu de Arte Folclórica, diante das superfícies vermelhas das saias das meninas retratadas por um pintor amador. Um estar sem estar, porém um estar sem estar prazeroso, tão diferente do outro. Como se existisse um contato direto dos sentidos com os objetos, sem qualquer mediação. Terá o meu pensamento - imagino, sorrindo - se espantado com o meu ressentimento e ido além, retrocedido demais?
Na mala trouxe livros e pilhas de papéis; fotografias, impressões de e-mails, cadernetas, cartas, caixinhas que nem sei o que contêm, que em Barcelona não abri. Arrumei os livros na estante baixa em frente ao sofá; o resto ficou tudo em cima da mesa, na cozinha. Talvez nada disso venha a ser de utilidade, algumas dessas coisas poderiam inclusive me atrapalhar. Mas a confiança na recordação dos fatos, na generosidade da mente para me presentear com pensamentos ou lembranças, é pouca, e o material que guardei de nove anos atrás, junto com a possibilidade de revisitar os lugares, parecem-me bastante preciosos, algo ao que não posso renunciar.
Nessa postura não reconheço ao jovem com um objetivo específico para estar aqui. Reconheço a atitude que, outros dias, tem me levado ao Museu do Brooklyn, me deixado obnubilado diante das máscaras e dos tótens africanos do amplo e alto saguão; ou, no Museu de Arte Folclórica, diante das superfícies vermelhas das saias das meninas retratadas por um pintor amador. Um estar sem estar, porém um estar sem estar prazeroso, tão diferente do outro. Como se existisse um contato direto dos sentidos com os objetos, sem qualquer mediação. Terá o meu pensamento - imagino, sorrindo - se espantado com o meu ressentimento e ido além, retrocedido demais?
Na mala trouxe livros e pilhas de papéis; fotografias, impressões de e-mails, cadernetas, cartas, caixinhas que nem sei o que contêm, que em Barcelona não abri. Arrumei os livros na estante baixa em frente ao sofá; o resto ficou tudo em cima da mesa, na cozinha. Talvez nada disso venha a ser de utilidade, algumas dessas coisas poderiam inclusive me atrapalhar. Mas a confiança na recordação dos fatos, na generosidade da mente para me presentear com pensamentos ou lembranças, é pouca, e o material que guardei de nove anos atrás, junto com a possibilidade de revisitar os lugares, parecem-me bastante preciosos, algo ao que não posso renunciar.
Thursday, November 05, 2009
Tadinhos futebolistas
A polêmica do aumento do IR na Espanha chegou ao Brasil. Como informa a Folha de S. Paulo, os clubes de futebol vão se reunir para decidir se fazer uma greve. Motivo? Os jogadores com ganhos superiores a € 600.000 anuais (R$ 1.500.000) pagarão 43% em vez do 24% atual. Agora: qual é a taxação na Itália para ganhos anuais a partir de € 75.000 ("só" 75.000)? 43 %. E na Alemanha, para quem ganha anualmente € 250.000? 45%. Parece que a maioria de clubes espanhóis (espero que meu RCD Espanyol de Barcelona não esteja metido nessa) estão preocupados porque, caso a medida saia adiante, sua Liga deixará de ser "A Liga das Estrelas", ou "A melhor Liga do mundo". O que não deixa de ser uma piada: segundo Rodrigo Bueno, também da Folha, um campeonato em que só dois times têm opções de ganhar (podem apostar, têm 50% de chances de ganhar uma graninha) estaria mais bem para o Pior campeonato do mundo. A ministra da Economia disse que "uma greve seria uma medida que nenhum contribuinte entenderia". Eu digo mais: proponho que a greve seja dos assistentes aos estádios, a maioria dos quais ganham menos de € 1.000 por mês. Referindo-se à medida, o presidente do Bar$elona disse, citado na Folha: "Isso pode criar um prejuízo na capacidade competitiva de nosso futebol". E eu digo ao J. Laporta: Que et donin pel cul.*
*Em catalão. Assim, caso ele, narcisista entre narcisistas, se procure no Google, poderá encontrar mais um insulto a sua pessoa.
PS: A aberração, que, desde que cheguei ao Brasil, considero que é o IR em vigor no país seria o motivo de um outro post que tenho preguiça de escrever. Mas só uma mudança corajosa do sistema fiscal (algo tão óbvio como que os ricos paguem mais) faria com que o abismo social, a maior vergonha nacional, diminuísse um pouco.
*Em catalão. Assim, caso ele, narcisista entre narcisistas, se procure no Google, poderá encontrar mais um insulto a sua pessoa.
PS: A aberração, que, desde que cheguei ao Brasil, considero que é o IR em vigor no país seria o motivo de um outro post que tenho preguiça de escrever. Mas só uma mudança corajosa do sistema fiscal (algo tão óbvio como que os ricos paguem mais) faria com que o abismo social, a maior vergonha nacional, diminuísse um pouco.
Capítulo 2 (rascunho)
Desde minha chegada, fui duas vezes ver os pingüins de Central Park. Que prazer enorme, ficar só olhando! O maior e mais gordo parece uma estátua de pingüim, imóvel sobre uma rocha, alheio a tudo. Outros se projetam fora d'água em pulinhos totalmente verticais. Muitos nadam, lançados como setas, deixando trás de si longos rastros de bolhas. Esse bicho é idiota. Que nem papai. (Cala a boca, filha.) Gosto de passar o tempo aqui no escuro. Levanto, sento, ajoelho-me com a face colada no vidro para ver os ventres finos e roliços, que embaixo d'água não parecem ter plumagem. Mas outros dias a consciência de ter de escrever é maior. Esses dias, nem ler o jornal eu faço tranqüilo. Com um gesto de desgosto, atiro todos os cadernos na primeira lixeira que encontro. Como se a leitura do jornal fosse um verdadeiro empecilho. Depois de todos estes anos em que só tive paz de manhã, tomando o café e lendo o jornal.
Capítulo 1 (rascunho)
Há tempo eu não consigo pensar. Só consigo esperar meus pensamentos virem. Quando quero pensar, sinto meus pensamentos. É assim desde que a doença ficou atrás. Então, não penso. Por isso escrevo devagar. Não conseguir pensar pode ser uma coisa boa. É não ter medo do futuro, nem remorsos. Ter um tipo de ansiedade, ou de impaciência, ou de saudade, que é sempre passageira, que não se instala. Mas significa, também, não poder antecipar, interpretar, planificar. Agir, decidir por impulsos e intuições. Quando escrevo, obriga-me a aceitar só pensamentos genuínos, o que me impede, não raramente, enlaçar duas ou três simples frases. Porém, são frases cheias de sentido, que por isso eu chamo de verdadeiras - mesmo que não sempre o sejam.
Triste isso
Tomei um café expresso carioca de R$ 2. Só tinha uma nota de R$ 50. A mulher usou a calculadora. Triste isso.
Tuesday, November 03, 2009
Capítulo 0 (rascunho)
Agora imaginem uma cidade sitiada e bombardeada dia e noite por um exército inimigo. Inclusive nesse cenário - e em determinadas circunstâncias - uma pessoa pode não ser capaz de esquecer suas preocupações mais banais. E, no entanto, a gente foge à menor oportunidade. Muda de lugar de residência, abandona seu trabalho, junta uma leve bagagem e se põe a caminhar. São momentos em que provavelmente não existe outra saída, momentos em que andar sem destino se apresenta como a única opção.
Homens desprezados atravessam oceanos para se afastar da amada, só para descobrir, ao cabo de uma vida intentando, que não a conseguiram esquecer. Mas o amor não é o único motivo. Há uma infinidade de situações que exigem lentas transformações da alma, e a gente não sabe sempre o que fazer durante a espera.
Reparem nos olhos opacos de Alicia, que fuma sentada nos degraus da escada, sozinha, em frente à porta do escritório onde trabalha. Reparem em Xavier, que percorre lentamente as ruas da cidade, chega até o cais, e fuma sentado em um dos bancos, com o olhar perdido entre o velame. Ou em Manoel, que todos os dias, em qualquer parque, em qualquer café, lê - um acúmulo de palavras sobre a inadequação das palavras, uma história que às vezes não entende, ou entende demasiado bem. Não estão sonhando. Não pensam no relatório a meio terminar, nem nos lugares aonde gostariam de escapar. Têm coisas mais importantes a resolver. Estão à espera.
A vida de quem espera é uma vida em suspenso, uma vida cujos eventos cotidianos são percebidos como um longo entreato; uma série interminável de encontros e desencontros não vividos. É a vida de Penélope e Cio-Cio San. É a vida de Ana, que de tanto esperar virou uma rocha de sal. Sua espera e sua esperança eram as mesmas. Esperaram o retorno do amado à beira do mar. Esperaram o que tiveram e perderam. Mas o amor não é o único motivo. Há coisas que se perdem sem as quais não é possível viver. Coisas que se perdem mas podem se recuperar. Perdas que não aniquilam a esperança, que obrigam a lutar quando já não restam forças.
Homens desprezados atravessam oceanos para se afastar da amada, só para descobrir, ao cabo de uma vida intentando, que não a conseguiram esquecer. Mas o amor não é o único motivo. Há uma infinidade de situações que exigem lentas transformações da alma, e a gente não sabe sempre o que fazer durante a espera.
Reparem nos olhos opacos de Alicia, que fuma sentada nos degraus da escada, sozinha, em frente à porta do escritório onde trabalha. Reparem em Xavier, que percorre lentamente as ruas da cidade, chega até o cais, e fuma sentado em um dos bancos, com o olhar perdido entre o velame. Ou em Manoel, que todos os dias, em qualquer parque, em qualquer café, lê - um acúmulo de palavras sobre a inadequação das palavras, uma história que às vezes não entende, ou entende demasiado bem. Não estão sonhando. Não pensam no relatório a meio terminar, nem nos lugares aonde gostariam de escapar. Têm coisas mais importantes a resolver. Estão à espera.
A vida de quem espera é uma vida em suspenso, uma vida cujos eventos cotidianos são percebidos como um longo entreato; uma série interminável de encontros e desencontros não vividos. É a vida de Penélope e Cio-Cio San. É a vida de Ana, que de tanto esperar virou uma rocha de sal. Sua espera e sua esperança eram as mesmas. Esperaram o retorno do amado à beira do mar. Esperaram o que tiveram e perderam. Mas o amor não é o único motivo. Há coisas que se perdem sem as quais não é possível viver. Coisas que se perdem mas podem se recuperar. Perdas que não aniquilam a esperança, que obrigam a lutar quando já não restam forças.
Monday, November 02, 2009
Saturday, October 31, 2009
La lengua popular
Oba! Oba! Tô feliz! Ganhei da Ana e o Leo o álbum* do Calamaro!!! Obrigadão-ão-ão!

Os caras
Se tu tens que ir lá para cima antes de mim
Porque existe a vida eterna
Leva em meu nome um cucumelo
Por se não chove no céu
E em nome dos 22
Dá ele ao cara, cuartetero,
E dá um longo abraço
Aos meus amigos que se foram primeiro
Também leva alguma das nossas canções
Que vão causar grande posteridade
Suponho que haverá uma cidade inteira
E me serve de consolo se me esperas lá
Muitos amigos se foram antes de mim
E me deixaram só, por isso se no inverno faz frio
Também desço ao inferno um pouco
Suponho que ninguém se vai totalmente
Espero que exista algum lugar
Onde os caras escutem minhas canções
Mesmo que eu não os escute opinar
Pega uma lista dos meus amigos
Quero lhes convencer de voltarem comigo
Se não vão esperar muito, e faz muito
Que os quero ver
*Ilustrado por Liniers!
Os caras
Se tu tens que ir lá para cima antes de mim
Porque existe a vida eterna
Leva em meu nome um cucumelo
Por se não chove no céu
E em nome dos 22
Dá ele ao cara, cuartetero,
E dá um longo abraço
Aos meus amigos que se foram primeiro
Também leva alguma das nossas canções
Que vão causar grande posteridade
Suponho que haverá uma cidade inteira
E me serve de consolo se me esperas lá
Muitos amigos se foram antes de mim
E me deixaram só, por isso se no inverno faz frio
Também desço ao inferno um pouco
Suponho que ninguém se vai totalmente
Espero que exista algum lugar
Onde os caras escutem minhas canções
Mesmo que eu não os escute opinar
Pega uma lista dos meus amigos
Quero lhes convencer de voltarem comigo
Se não vão esperar muito, e faz muito
Que os quero ver
*Ilustrado por Liniers!
Thursday, October 29, 2009
Da bunda
Uma garota da Polônia esteve no Rio de Janeiro pesquisando para sua dissertação de mestrado, sobre o filme Cidade de Deus. Em seu diário, publicado na revista Piauí, fez a seguinte observação:
"Nas ruas e no metrô não consigo deixar de olhar para o bumbum das garotas. Eles têm um formato totalmente diferente dos nossos, mais copioso. Não que as brasileiras sejam gordas, nada disso. Apenas têm mais carne, mais músculos. E todas usam calças bem apertadas. Quando andam, parece que fazem massa com o bumbum. Muito interessante".
Nota: Sorry, no photos para este post. Quem leia de Barcelona, que venha para o Brasil.
"Nas ruas e no metrô não consigo deixar de olhar para o bumbum das garotas. Eles têm um formato totalmente diferente dos nossos, mais copioso. Não que as brasileiras sejam gordas, nada disso. Apenas têm mais carne, mais músculos. E todas usam calças bem apertadas. Quando andam, parece que fazem massa com o bumbum. Muito interessante".
Nota: Sorry, no photos para este post. Quem leia de Barcelona, que venha para o Brasil.
Tuesday, October 27, 2009
Tapume
Sábado passei por um prédio na Rua da Praia que não era normal. Me virei, mas não parei. Pensei: nossa, alguém fez uma obra de arte sem saber, vou ter que voltar para fotografar. A casa estava coberta de uma série do que me pareceram lâminas de madeira velha, coladas umas às outras formando curvas, semicircunferências, protuberâncias várias. Achei (bobo!) que era uma espécie de proteção que alguém inventou por falta de uma outra opção, redes, andaimes; a casa é antiga, caindo aos pedaços. Já perto da Praça da Alfândega, sentei para tomar um café, peguei a Zero Hora e achei um artigo titulado "Arte monstruosa em Porto Alegre" (ou alguma coisa assim). Não lembro o nome do autor, mas era um desses caras retrógrados em matéria de arte (todo o mundo conhece algum - será que eles são retrógrados em geral?, não é improvável...). No artigo, eram criticadas as esculturas de aço ou ferro que estão por todas partes na cidade (eu também acho algumas delas feias); o senhor se espraiava na crítica da viga-mirante pendurada à beira do rio Guaíba, no Gasômetro (que eu acho fantástica),... e dirigia sua máxima raiva (acho que esse era o motivo real do artigo) contra "essa casa monstruosa" da Rua da Praia (tão bonitinha que era a casinha sem intervenção de maluco nenhum, né? :p). Caiu a ficha. Orgulhoso de ter olho para reconhecer arte na rua, saí todo faceiro do café, com a vontade intensificada de voltar à casa e fotografá-la. É esta aqui. A obra (está escrito em uma placa) é do paulistano nascido em Ourinhos (em 1973) Henrique Oliveira. Seu título é "Tapume", e é feita de compensado (?) flexível, canos de PVC e compensado reciclado, produzida pela 7ª Bienal do Mercosul, que começa... bom, já começou.

Isto foi o primeiro que eu vi.



PS: E agora fiquei na dúvida. Isto que eu vi em Marselha, é a natureza imitando a arte, ou também é obra de alguém?
Isto foi o primeiro que eu vi.
PS: E agora fiquei na dúvida. Isto que eu vi em Marselha, é a natureza imitando a arte, ou também é obra de alguém?
Monday, October 26, 2009
Motivos para no enamorarse (Carnaval de Brasil)
Ontem eu assisti com a Anna (Anníssima, Anninha) ao filme Motivos para no enamorarse, do argentino Mariano Mucci (o título é meio bobo, acredito que é só para atrair pessoas que nunca iriam ver esse filme). É uma história triste que se passa em Buenos Aires, sobre duas pessoas solitárias, que, no entanto, guardam ainda uma ponta de esperança. Ele, um homem maduro, perdeu a mulher e mora sozinho em um apartamento grande e escuro, com apenas mobília (tem um segredo em uma casa fechada, na praia); ela tem 26 anos, trabalha em um call center (as meninas fingem que ligam de Barcelona: é assim que fazem os empresários, se mandar para onde seja possível pagar menos aos empregados), e, por causa de um relacionamento que não deu certo, diz que gostaria de apagar de sua vida os últimos vinte anos. Filme triste e lindo, e bom, e barato, imagino (legal ver que filmes bons podem ser feitos com pouca grana - te liga, Uri); talvez o primeiro do diretor.Mas o que eu queria botar no blog é a música dos créditos finais, de Andrés Calamaro, "Carnaval de Brasil": grande como todas as dele (e as de seu colega Fito Páez). É sobre as musas. Sobre seu ir e vir, sobre sua necessidade ou não necessidade. Um trecho diz assim:
"Habrá que desenvainar las espadas del texto,
Y escribir una canción aunque no haya algún pretexto,
y dedicársela al primero que pase caminando,
al que se quedó pensando, al que no quiere pensar,
al olvido selectivo, a la memoria perdida,
a los pedazos de vida que no vamos a perder... jamás."
PS: Texto de Rodrigo Fresán sobre La lengua popular, o último CD de Calamaro, que inclui "Carnaval de Brasil".
Sobre el Maragall
Uri: "T'escric per dir-te que et llegeixis el reportatge que publicava avui El País Semanal sobre el Maragall. El fa el Millàs i a mi m'ha flipat com retrata un crack com el Maragall. A veure què et sembla".
Què em sembla? Em sembla que Catalunya no seria tan petita i miserable si la resta de polítics catalans li haguessin arribat a l'alçada dels genolls.
(O escritor J. J. Millás quer falar com Pasqual Maragall sobre a doença de Alzheimer, que lhe foi diagnosticada há dois anos, mas Maragall é tão genial que ele não consegue - só consegue se apaixonar pelo homem, como tantos de nós nos apaixonamos.)
"Si decir de alguien que fue alcalde de su ciudad y presidente de su comunidad puede parecer mucho, en el caso de Pasqual Maragall no es nada. Habría que añadir que fue el alcalde de los Juegos Olímpicos de 1992 y el presidente del nuevo Estatuto de Autonomía de Cataluña. Los Juegos modificaron el rostro de Barcelona, quizá también sus huesos, además de colocarla en la lista de las ciudades más hermosas del mundo."
Eu gostei especialmente desta parte aqui, porque me diz respeito:
"Uno había ido a Barcelona a por el Alzheimer de Maragall y no estaba dispuesto a que se le escapara (de nuevo la maldita etiqueta). Pero por Dios, si el reportaje estaba ante mis ojos. Tantos años de oficio y aún no había aprendido que escribir consiste en ser capaz de ver lo que tienes delante de las narices (véase La carta robada, de Poe). Maragall llevaba con paciencia al reportero de mierda que les habla, hasta que en un momento dado se volvió a Socías, el fotógrafo, y dijo señalándome:
-Este hombre es muy nervioso, no se da cuenta de que para que se dé la circunstancia del conocimiento tiene que haber tranquilidad.
Yo me sonrojé, como pillado en falta. Entonces Maragall me miró con afecto, sonrió y dijo:
-¡Estos madrileños!"
Què em sembla? Em sembla que Catalunya no seria tan petita i miserable si la resta de polítics catalans li haguessin arribat a l'alçada dels genolls.
(O escritor J. J. Millás quer falar com Pasqual Maragall sobre a doença de Alzheimer, que lhe foi diagnosticada há dois anos, mas Maragall é tão genial que ele não consegue - só consegue se apaixonar pelo homem, como tantos de nós nos apaixonamos.)
"Si decir de alguien que fue alcalde de su ciudad y presidente de su comunidad puede parecer mucho, en el caso de Pasqual Maragall no es nada. Habría que añadir que fue el alcalde de los Juegos Olímpicos de 1992 y el presidente del nuevo Estatuto de Autonomía de Cataluña. Los Juegos modificaron el rostro de Barcelona, quizá también sus huesos, además de colocarla en la lista de las ciudades más hermosas del mundo."
Eu gostei especialmente desta parte aqui, porque me diz respeito:
"Uno había ido a Barcelona a por el Alzheimer de Maragall y no estaba dispuesto a que se le escapara (de nuevo la maldita etiqueta). Pero por Dios, si el reportaje estaba ante mis ojos. Tantos años de oficio y aún no había aprendido que escribir consiste en ser capaz de ver lo que tienes delante de las narices (véase La carta robada, de Poe). Maragall llevaba con paciencia al reportero de mierda que les habla, hasta que en un momento dado se volvió a Socías, el fotógrafo, y dijo señalándome:
-Este hombre es muy nervioso, no se da cuenta de que para que se dé la circunstancia del conocimiento tiene que haber tranquilidad.
Yo me sonrojé, como pillado en falta. Entonces Maragall me miró con afecto, sonrió y dijo:
-¡Estos madrileños!"
Saturday, October 17, 2009
:'(
Así se despidió de la audiencia, en directo, el día que España ganó el Europeo, el gran comentarista de baloncesto Andrés Montes. En ese momento, hace tan sólo un mes (20 de septiembre)*, no entendí nada. ¿Su último partido? Ayer fue encontrado muerto en su casa de Madrid. Descanse en paz, gracias por las emociones.
*Noticia del 21 de septiembre (Yahoo! TV): "Después de trabajar tres años para la cadena de Mediapro, laSexta ha decidido no renovarle su contrato por 'crecimiento y reestructuración'".
Noticia del 18 de octubre (El País): "Montes pasaba por dificultades económicas muy serias según fuentes judiciales. Tras comentar el Europeo, se encontraba ahora sin trabajo y deprimido. Recibió hace unos días la orden de desahucio de su vivienda, en Madrid".
"O sistema é um vampiro"...
PS: Artículo de Santiago Segurola.
*Noticia del 21 de septiembre (Yahoo! TV): "Después de trabajar tres años para la cadena de Mediapro, laSexta ha decidido no renovarle su contrato por 'crecimiento y reestructuración'".
Noticia del 18 de octubre (El País): "Montes pasaba por dificultades económicas muy serias según fuentes judiciales. Tras comentar el Europeo, se encontraba ahora sin trabajo y deprimido. Recibió hace unos días la orden de desahucio de su vivienda, en Madrid".
"O sistema é um vampiro"...
PS: Artículo de Santiago Segurola.
Traduccions de Brasil 59 (L'âge d'or, de Legião Urbana)
Aprendí a esperar, pero no tengo certeza
Ahora que estoy bien, tan poca cosa me interesa
Contra mi voluntad soy tozudo, sincero
E insisto en tener voluntad propia
Si la suerte un día fue ajena a mi sustento
No hubo armonía entre acción y pensamiento
¿Cómo te llamas? ¿Cuál es tu signo?
Me gusta tu cuerpo, tu rostro es bonito
¿Cuál es tu arcano? ¿Tu piedra preciosa?
Es conmovedor que creas en esas cosas
Busqué varias salidas, de heroína a Jesús
Por vanidad hice todo lo que hice
Jesús fue traicionado con un beso
David tuvo un gran amigo
Y ya no sé si sólo es cuestión de suerte
Vi una serpiente entrando en el jardín
Puede que sea verdad esta vez
Mi tobillo escuece, por culpa de un mosquito
Me mojé los cabellos, me siento tan limpio
No hay belleza en la miseria
Ni hay nada que hacer por aquí
Probaremos otro camino
Estamos en peligro, y lo que aún no entiendo
Es que todo tiene sentido
Y ya no sé si sólo es cuestión de suerte
Ya no sé, ya no sé, ya no sé...
Oh, oh
Ahí vienen los gigantes de mármol
Con anzuelos en la palma de la mano
¿No es bello todo y cualquier misterio?
El mayor secreto es no haber misterio alguno
Thursday, October 15, 2009
Traduccions de Brasil 58 (Idade do Céu, de J. Drexler e P. Moska)
(Continuo apático - por isso não escrevo, nem sequer no blog. Ontem à noite, em vez de ler, fiquei ouvindo o CD de Simone e Zélia Duncan, Amigo é casa, bem baixinho. Quase todas as músicas parecem canções de ninar. Mas são tão bonitinhas que ouvi o CD até o final.)
No somos más
Que una gota de luz
Una estrella que cae
Una centella tan sólo
En la edad del cielo...
No somos lo
Que queríamos ser
Somos un breve pulsar
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que un puñado de mar
Una broma de Dios
Un capricho del sol
En el jardín del cielo...
No hacemos pie
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos un grano de sal
En el mar del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo
La misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que una gota de luz
Una estrella que cae
Una centella tan sólo
En la edad del cielo...
No somos lo
Que queríamos ser
Somos un breve pulsar
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que un puñado de mar
Una broma de Dios
Un capricho del sol
En el jardín del cielo...
No hacemos pie
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos un grano de sal
En el mar del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo
La misma edad
Que la edad del cielo...
Tuesday, October 06, 2009
Apatia
"Dear Dr. Love,[...]
I never liked the way your name feels like a bad joke to all those people who are struggling with their marriages. Maybe you should change it to Dr. Apathy, which they (the 1960s shrink set) said was the opposite of love - instead of hate - and I absolutely agree with this. In fact, I think if they ever remake The Night of the Hunter, which is one of my favorite movies (or was, until Jerry got religious), they might rethink the tattoos that the preacher has on his hands. Lord, Robert Mitchum was scary there using his hands to show the fight between love and hate, and him a cold-blooded killer hiding behind Scripture. But imagine a preacher (or a marriage counselor) with hands saying LOVE and APATHY. You love all those little games; you can put your hands behind your back and say, Pick."
(From the short story "PS", by Jill McCorkle.)
Friday, October 02, 2009
Thursday, October 01, 2009
Saturday, September 26, 2009
Tuesday, September 22, 2009
Friday, September 18, 2009
O mal-estar na civilização, de S. Freud
"A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas. (...) Existem talvez três medidas desse tipo: derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela. Algo desse tipo é indispensável."Derivativo poderoso seria a criação artística, a atividade científica ou até o trabalho, quando é livremente escolhido.
Satisfação substitutiva seria, por exemplo, a leitura, ou a contemplação da obra de arte.
Substâncias tóxicas, bom... eu estou fumando.
Tem a religião, mas para Freud é "uma paranóia coletiva". Ele fala bem da filosofia budista, que busca a ausência de desprazer, a felicidade da quietude.
Segundo Freud, o problema do "momento" de felicidade ou prazer, mais comum, é que é uma "manifestação episódica", que não se prolonga; que deriva de um contraste, e não de um "estado de coisas".
Sobre o amor... "A modalidade de vida que faz do amor o centro de tudo, que busca toda satisfação em amar e ser amado" talvez se aproxime mais da meta da felicidade. Porém "nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor".
Mas há esperança! "Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem de descobrir por si mesmo de que modo específico ele pode ser salvo. (...) É uma questão de quanta satisfação real ele pode esperar obter do mundo externo, de até onde é levado para tornar-se independente dele, e, finalmente, de quanta força sente à sua disposição para alterar o mundo, a fim de adaptá-lo a seus desejos. Nisso, sua constituição psíquica desempenhará papel decisivo, independentemente das circunstâncias externas."




Wednesday, September 16, 2009
Longe
A Rose :) me enviou o novo videoclipe do Arnaldo Antunes :)) Do novo CD, que saiu agora :))) Mas eu já conhecia esta canção! Foi a que a Anna :) filmou no show que ele fez em Porto Alegre! Showzão que eu perdi! :(
Friday, September 11, 2009
Diada Nacional
Hoje é o Dia Nacional da Catalunya - como o passado dia 7 foi o Dia do Brasil. Compartilhar de um Dia Nacional seria, usando palavras de Freud dedicadas à religião (mas que sem dúvida ele deve ter dedicado, também, ao nacionalismo, equiparado a ela pela psicanálise), compartilhar de uma "paranóia coletiva". Então, eu estou fora - sempre fora. Como cidadão da Catalunya, da Espanha, da Europa, do Rio Grande do Sul e do Brasil (sem esquecer a importância, talvez maior, de meu ser barcelonês e portoalegrense), digo que podem enfiar esses dias nacionais no **. "Pode ser / pode ser bom / e pode ser / pode ser não". :)
Monday, September 07, 2009
My workplace for 2009 (3)
Subscribe to:
Posts (Atom)

